A trajetória de um militar que se mescla com a história da Força Aérea Brasileira

São 60 anos de serviços prestados à manutenção de aeronaves

“Quando chegar 20 de janeiro de 2016, meu sonho se completa: serão 60 anos de Força Aérea”. A frase é do Suboficial da Reserva Antranik Cassapian. Com voz mansa e fala pausada, que expressam a experiência dos 78 anos de vida, ele conta sua história de dedicação à Força Aérea Brasileira (FAB) e ao Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP). Uma história que se confunde com a da instituição, que completa 75 anos neste mês.

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De uma família de seis irmãos, foi o único que não seguiu a profissão de sapateiro. A relação com a instituição, que na época era um ministério recém-criado, nasceu em 1956, quando foi servir como soldado. “Eu morava a 1,5 km do Campo de Marte e sempre via os aviõezinhos passando. Ficava sonhando quando chegasse a época de servir e seguir carreira”, relata.

Foi soldado, cabo, formou-se sargento especialista em suprimentos na Escola de Especialistas de Aeronáutica, em 1957, e chegou à graduação de suboficial em 1981, sempre trabalhando no PAMA-SP, unidade histórica. “Nunca me movimentaram e também eu nunca pedi”, diz o suboficial, que foi para a reserva em 1986, mas não deixou de trabalhar.

A disposição é mantida com a prática de exercícios e o rigor na alimentação. Optou por ser vegetariano há 40 anos e é um assíduo participante da educação física. “Eu só não corro mais. Sou o guia da caminhada”, esclarece.

Com tanta experiência, o suboficial é uma “enciclopédia aeronáutica”. “O que não está no computador está na cabeça do Cassapian”, relatam os colegas de trabalho.

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“Ele tem informações sobre os projetos antigos que já foram desativados. Às vezes, a peça não consta no sistema, mas ele consegue encontrar itens, do Búfalo, por exemplo, que puderam ser usados no F-5”, detalha o mecânico Sargento Rômulo Alves Mendonça, que tem 14 anos de PAMA-SP.

O militar acompanhou a modernização da Força Aérea nas últimas seis décadas. Ele é da época do “Cartex”, quando cada item que saía do estoque tinha que ser relatado em cartões. Nos anos 60, foi a vez do projeto 300, que possibilitou um avanço. A partir dos anos 80 foi incorporado o Sistema Integrado de Logística de Materiais e de Serviços (SILOMS).

Quando perguntado sobre o legado que acredita ter deixado para a FAB, ele não titubeia em enaltecer o quanto ama o que faz e todas as oportunidades que ele teve na instituição. “O meu legado é a amizade. Amo trabalhar aqui. Os mecânicos sempre tiveram meu apoio. Contribuí com a instituição. Dei o melhor de mim para a FAB e auxiliei meus companheiros”, finaliza.

Família

Do casamento, que em 2017 completará 50 anos, nasceram dois filhos. Um deles também adotou a carreira militar e a mesma especialidade. “Acho que tenho muito do meu pai. Na escola até fiz um teste de aptidão e o resultado apontou para essa área”, lembra o Major Antranik Cassapian Júnior, especialista em Suprimento, que trabalha no Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Tráfego Aéreo (CINDACTA II), em Curitiba (PR). Na memória do oficial estão vívidas as imagens de quando criança circular por entre os aviões no hangar enquanto acompanhava o pai. “O hospital ficava bem perto. Quando ia ao médico e ouvia a banda, eu saía correndo da sala para ver a tropa passar”, relata o filho.

Sete décadas e meia de história

Com 77 mil militares, centenas de aviões, doutrina operacional consolidada, a Força Aérea Brasileira chega aos 75 anos repensando seu futuro. No ano passado, passos importantes foram dados nesta direção.

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A assinatura do contrato da nova aeronave de caça e a chegada de um novo helicóptero operacional com capacidades inéditas para este tipo de aviação são exemplos. E sempre buscando aprimorar gestão, meios e técnica, a Força Aérea Brasileira se consolidou e passou a fazer história.

O surgimento do Ministério da Aeronáutica

A Aeronáutica nasceu em 20 janeiro de 1941 ao incorporar as aviações do Exército e da Marinha. Getúlio Vargas escolheu o advogado gaúcho e ministro do trabalho, Joaquim Salgado Filho, para o comando da pasta. Ele ficou no cargo entre 1941 e 1945. Com Assis Chateaubriand lançou a Campanha Nacional de Aviação, doando centenas de aviões e criou um ambiente aeronáutico no país.

(CECOMSAER/ FM)

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