Campus Brasília da ESG Promove Debate Sobre a Nova Ordem Global

O Campus Brasília da Escola Superior de Guerra (ESG) promoveu uma mesa-redonda para debater o tema “O mundo pós ocidental: potências emergentes e a nova ordem global” com o Prof Dr Oliver Stuenkel, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), título do livro recém-lançado pelo professor. A moderadora da mesa foi a Profª Drª Ana Flavia Platiau, da Universidade de Brasília (UnB).

O Prof Stuenkel é referência nacional e internacional na relação dos países que compõem o BRICS (grupo político de cooperação formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Em sua fala, Stuenkel fez uma análise desde 2001, início da formação do grupo até os dias atuais, fazendo referência à ascensão de potências, como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, para o futuro da ordem global.

Participaram do evento representantes da Embaixada dos Estados Unidos da América no Brasil, Ministra-Conselheira Kristin Kane, Antonella Cerasino, da Delegação da União Europeia no Brasil, dos Ministérios da Defesa (MD) e das Relações Exteriores (MRE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), do Senado Federal (SF), do Instituto Pandiá Calógeras (IPC), do Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEEx) e oficiais superiores das Forças Armadas.

O Prof Stuenkel começou sua exposição lembrando que o mundo está cada vez mais centrado na Ásia, resultado de um deslocamento histórico de poder do Ocidente em direção ao continente que concentra mais da metade da população mundial. “As consequências são cada vez mais visíveis na política mundial. Com a aproximação do dia em que a China ultrapassará os Estados Unidos como a maior economia mundial, o Ocidente está lentamente perdendo a notável capacidade de determinar a agenda global, algo que estávamos tão acostumados que se tornou difícil imaginar a governança global sem a predominância ocidental. Por mais de um século, a concentração extrema de poder econômico permitiu que o Ocidente, apesar de representar uma minoria da população mundial, iniciasse, legitimasse e advogasse com eficácia as políticas globais nas áreas de economia e de segurança. Para a maioria dos observadores, atores não ocidentais raramente exerceram um papel construtivo na administração da governança global”, destacou.

Segundo Oliver Stuenkel, o debate político doméstico no Brasil e nos países latino-americanos costuma dar pouca importância a assuntos de relações internacionais. Essa visão paroquial da sociedade brasileira se reflete na atitude generalizada da opinião pública nacional em pouco se importar com casos de corrupção nos meios políticos quando o preço das commodities exportadas é alto nos mercados internacionais e a taxa de juros nos EUA se encontra em níveis reduzidos. Asiacentrismo Segundo Oliver, em face da reemergência da Ásia como o grande centro de poder mundial, sente-se necessidade intensa e crescente de adaptação do Brasil a essa nova realidade. Por isso, a atenção ao grupo BRICS é de importância fundamental, especialmente para os setores envolvidos em assuntos de defesa e segurança nacional. O multipolarismo de centros de poder no mundo, do qual um dos aspectos mais salientes é a ascensão da China e da Índia nas relações internacionais, é uma realidade cada vez mais evidente. Isso deveria refletir-se no modo como são conduzidos os estudos de Relações Internacionais no Brasil.

O centro de gravidade da economia mundial está cada vez mais centrado na região da Ásia-Pacífico. Novas instituições financeiras como o Asia International Infra-Structure Bank (AIIB), o Banco de Desenvolvimento dos BRICS, o China International Payment System (CIPS) e o BRICS Reserve Agreement devem assumir importância crescente em futuro próximo. Em vista desse fato, o Brasil, que assumirá a presidência pro tempore do grupo BRICS, em janeiro de 2019, deve procurar conferir relevância especial a esse assunto na formulação e execução de sua política externa.

Sobre a importância da China no BRICS, o professor ressaltou que o país asiático é, desde 2009, o principal parceiro comercial do bloco. A China, que já é a segunda maior potência econômica do mundo, manifesta clara intenção em ter voz ativa em todos os campos das relações internacionais e em pautar a agenda global. Oliver Stuenkel lembrou ainda que a China hoje participa mais de operações de paz da ONU que todos os outros membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização (CSNU) juntos. Na fase dos debates, a Profª Ana Flavia Platiau concordou com a avaliação realizada pelo Professor Stuenkel. “Tendo em vista a notória dificuldade de o Brasil enviar estudantes e pesquisadores à China, em razão dos altos custos envolvidos, as instituições de pesquisa brasileiras deveriam fomentar a vinda de especialistas e técnicos chineses ao nosso País, afirmou.

Fotos: Ascom ESG Brasília

(ESG ASCOM/FM)

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