Conheça histórias de militares e civis que se destacam na profissão que escolheram

Determinação para superar obstáculos e transformar sonhos em realidade. Essa parece ser característica comum entre a maioria das mulheres, que não poupam esforços para ampliar seu espaço na sociedade. Em um ambiente como das Forças Armadas, que até algumas décadas era exclusivamente masculino, elas chegaram para ficar e têm garantido sua presença nos mais diversos postos, concorrendo com os homens de igual para igual. Em comemoração ao Dia da Mulher, destacamos algumas dessas trajetórias.

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Mais de 1,6 mil dias, quase 40 mil horas e cinco reprovações. Em quatro anos e meio de intensos estudos, foi isso que Bianca Lopes de Freitas, 21 anos, precisou enfrentar para se tornar umas das mais novas integrantes da Escola de Especialistas de Aeronáutica. Apaixonada pela vida militar e por inglês, escolheu a carreira de controladora de tráfego aéreo. “Esse profissional não é médico, mas cuida de muitas vidas”, compara. O interesse pela Força Aérea Brasileira está literalmente no sangue. Desde pequena ela via fotos do pai e do avô com a mesma farda que veste agora. Bianca, do Esquadrão Azul, turma Amazonas, está na esquadrilha com mais 81 mulheres.

“Acham que é complicado a vida da mulher militar, mas quem entra, se apaixona. É incrível, não se pensa em estudar para outra coisa”, garante. Das sete vezes que tentou entrar para a força, passou na primeira prova, mas não foi chamada. A situação a motivou ainda mais. “Estar aqui é um orgulho para mim e toda minha família. Para quem quiser ingressar na carreira, meu conselho é não desistir e manter-se motivada. Eu poderia ter deixado tudo de lado com as reprovações. Mas eu consegui e estou aqui ”, fala com satisfação.

Há cerca de 4,7 mil quilômetros de Brasília a Coronel do Exército Ivana Mara Costa viveu duas vezes uma das maiores experiências da carreira militar dela. Em 2014 e 2016 esteve na Missão de Paz no Haiti como intérprete e tradutora. Na segunda vez naquele país também trabalhou como responsável pelas ações de Coordenação Civil-Militar (CIMIC), foi oficial de contato para questões de gênero e exerceu o cargo de presidente do Comitê do Trabalho das Mulheres na missão.

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Para ela, umas das maiores vivências foi poder “contribuir para a paz na vida de crianças e mulheres haitianas”, além de poder ver o caminho sendo aberto com as primeiras militares do Exército sendo indicadas para trabalhar como observadoras militares e Staff officers”. Ivana assegura que não há diferença em ser homem ou mulher na Força, pois todos são militares, com direitos e deveres iguais. “A mulher que quer seguir a carreira militar deve preparar-se fisicamente e profissionalmente para desempenhar da melhor maneira possível a missão que lhe for dada”, aconselha. Atualmente, ela trabalha como chefe da Seção de Missões de Paz de caráter Individual no Comando de Operações Terrestres.

Mas entre os sonhos e realizações, estão algumas dificuldades que perduram em toda missão. A saudade da família é uma delas. É o que tem vivido a Capitão de Fragata, Mônica de Araújo Thuler. Desde agosto de 2018, ela é única mulher do contingente da Força Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FTM-UNIFIL). Como assessora jurídica, trabalha no quartel General da ONU, na fronteira entre Israel e o Líbano.

Keven Cobalchini/MDesta imagem não possui descrição
“Sinto orgulho de ostentar na farda a Bandeira do Brasil. É uma honra e uma responsabilidade representar o meu país, a Marinha e o gênero feminino. Conto com o respeito e a admiração dos meus pares, superiores e subordinados”, afirma. Mônica diz que é um grande desafio lutar pela paz, um bem imaterial com significado diferente para cada pessoa e nação. Mas destaca que é um trabalho diferente de tudo que já realizou, em que conhece e trabalha com pessoas de mais de 40 países.

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 Civis-militares

Em 2018, plataformas do Ministério da Defesa como a Lei de Acesso à Informação (LAI) e o Serviço de Informação ao Cidadão foram bem avaliados pela Controladoria Geral da União (CGU) devido à forma adequada do cumprimento das orientações. A transparência nas respostas e documentos é um elemento que se destaca. Por trás desse trabalho bem executado há diversos profissionais que se empenham para o melhor resultado a cada ano. Dentre eles está a servidora Larisse Cavalcante Lino Corrêa.

No Ministério desde 2013, Larisse diz ser gratificante ver o trabalho sendo referência para outros órgãos. “Eu me sinto valorizada e estimulada trabalhando aqui. É tudo muito organizado e para quem mexe com o assunto, dá uma segurança. Como mulher, é possível ver que conseguimos conquistar nosso espaço mostramos que o nosso jeito pode contribuir para fazer com que a sociedade, como um todo, seja melhor”, destaca.

Tereza Sobreira/MDSamanta (esq) e Larisse (dir) trabalham pela melhor transparência do Ministério da DefesaSamanta (esq) e Larisse (dir) trabalham pela melhor transparência do Ministério da Defesa

Há 23 anos como servidora do Ministério da Defesa, Samanta Sandanielli Montu de Melo atua em uma área sensível, a de estrutura organizacional e regimental da administração central e dos comandos militares. Quando chegou ao ministério, o ambiente era predominantemente masculino e militar, o que não a impossibilitou de mostrar sua competência para a equipe. “ O MD tem uma forma particular de trabalhar com legislação e cumprimento estrito ao que norma diz, trabalho em um ambiente em que a legislação é cumprida e posta da forma que deve ser. Para mim, é recompensador ver a transformação estrutural de um órgão como a Defesa, por meio da contribuição do meu trabalho”, afirmou.

Números

 Marinha

O ingresso de mulheres na Marinha ocorreu a partir de 1980. No início, elas integravam um corpo auxiliar e sua participação era limitada a alguns cargos e serviço em terra. Entre 1995 e 1996, com a publicação de novas leis que regulamentaram a carreira militar, o acesso das oficiais mulheres foi estendido aos corpos de saúde e engenharia. Em 1997, houve uma expressiva ampliação da participação das mulheres nas atividades da Força Naval após a reestruturação dos quadros de oficiais e praças. A Marinha possui 8.437 mulheres militares em seu efetivo.

Exército

Em 1992, a Escola de Formação Complementar do Exército (ESFCEx), localizada em Salvador (BA), formou a primeira turma de oficiais. Após quatro anos, o espaço para a atuação feminina foi ampliado com a instituição do Serviço Militar Feminino Voluntário para médicas, farmacêuticas, dentistas, veterinárias e enfermeiras. Na mesma época, , o Instituto Militar de Engenharia (IME) recebeu as primeiras mulheres no quadro de engenheiros militares. Em 2016, a Força Terrestre divulgou pela primeira vez edital com oportunidade de ingresso do sexo feminino na área bélica. No ano passado, pela primeira vez, 30 cadetes da Academia das Agulhas Negras receberam o espadim.

A presença das mulheres na Força Terrestre subiu de 6.466, em 2012, para 10.749, em 2019.

FAB

A FAB é a que possui o maior número de militares do sexo feminino em seu efetivo, cerca de 11.550 mulheres. Até o momento, as mulheres na Aeronáutica ocupam postos de Terceiro-Sargento a Coronel nas mais diversas áreas, como aviação, manutenção, controle de tráfego aéreo, meteorologia, intendência, informática, saúde, direito, engenharia, administração, psicologia, dentre outras.

A primeira turma de mulheres ingressou na FAB em 1982, quando foram criados os quadros femininos de oficiais e de graduadas.

Por Júlia Campos

(MD ASCOM/FM)

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