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Defesa celebra os 70 anos da Tomada de Monte Castelo, épica vitória brasileira na II Guerra Mundial

Brasília, 20/02/2015 – O coronel Nestor da Silva, 97, é testemunha viva de um dos maiores feitos das Forças Armadas brasileiras durante a II Guerra Mundial: a Tomada de Monte Castelo, no centro-norte da Itália, há exatos 70 anos. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), participou in loco da batalha do dia 21 de fevereiro de 1945, quando os aliados conquistaram a região antes dominada pelos nazistas alemães. “Foram quatro tentativas sem sucesso. Só na quinta é que nós mudamos de estratégia e conseguimos vencer”, explicou o veterano coronel. A épica vitória brasileira que completa sete décadas foi comemorada em solenidade no Batalhão de Polícia do Exército de Brasília na manhã do dia 20 de fevereiro.

Coronel Nestor, 97, a frente, e Tenente-Coronel Vannutelli, 96: heróis nacionais que participaram da épica vitória de Monte Castelo - Foto: Tereza Sobreira
Coronel Nestor, 97, a frente, e Tenente-Coronel Vannutelli, 96: heróis nacionais que participaram da épica vitória de Monte Castelo – Foto: Tereza Sobreira

Os veteranos brasileiros que lutaram na II Guerra Mundial, os eternos “pracinhas”, foram os grandes homenageados da solenidade. Além do coronel Nestor, estiveram presentes o tenente-coronel Mário Raphael Vannutelli, 96; os capitães Vasco Duarte Ferreira, 91, e Severino Francisco de Oliveira, 96; e o tenente Vinícius Venus Gomes da Silva, 89. Eles foram saudados efusivamente pelo público que acompanhava a cerimônia.

Após ser entoada a Canção do Expedicionário, o comandante do Exército, general Eduardo Dias Villas Bôas, enalteceu a importância dos ex-combatentes. “Feliz do Exército que tem heróis para reverenciar. Feliz de nós que temos os pracinhas para reverenciar, nossos heróis. Em nome da Força Terrestre de ontem, de hoje e de sempre, o nosso muito obrigado.” A solenidade foi encerrada com desfile em homenagem aos veteranos.

Uma vitória estratégica

Sucesso de Monte Castelo demonstrou eficácia dos militares brasileiros em batalha: vitória estratégica na campanha aliada contra os nazistas - Foto: Exército Brasileiro
Sucesso de Monte Castelo demonstrou eficácia dos militares brasileiros em batalha: vitória estratégica na campanha aliada contra os nazistas – Foto: Exército Brasileiro

Para o chefe da Seção de Memória da Escola Superior de Guerra, major Gilberto de Souza Vianna, “a Tomada de Monte Castelo foi a prova da eficácia da FEB nos campos de batalha da Itália na II Guerra Mundial”. O historiador afirmou, também, que o episódio foi estratégico para a sequência da campanha dos aliados e derrota dos nazistas. “Nós, sozinhos, tomamos a região. Foi um marco de valor”, disse.

Paraquedista da Arma de Infantaria, o coronel Nestor orgulha-se de ter, junto com seus amigos, vencido “um dos maiores soldados do mundo que é o alemão”. Outro ex-febiano, o tenente-coronel Vannutelli, da arma de Artilharia, contou que a preparação para ir para o combate mundial foi “corrida, difícil e ligeira”. Mesmo assim, “a Força Expedicionária cumpriu sua missão”, sentenciou o artilheiro.

Memórias do coronel

Quem conversa com o coronel Nestor da Silva não acredita que aos 97 anos, sua memória possa ser tão rica em detalhes. Entre muitas perguntas e admiração dos presentes no evento de hoje, ele citou curiosidades da árdua tarefa realizada em terras estrangeiras.

Combatente de Infantaria, Nestor tinha pouco mais de 20 anos na Guerra: “Fiquei 52 dias sem tomar banho, porque não tinha nem como” - Foto: Tereza Sobreira
Combatente de Infantaria, Nestor tinha pouco mais de 20 anos na Guerra: “Fiquei 52 dias sem tomar banho, porque não tinha nem como” – Foto: Tereza Sobreira

“Fiquei 52 dias sem tomar banho, porque não tinha nem como”, confidenciou. “O que mais estranhamos foi o clima, eram 20 graus abaixo de zero. Muito frio. Recebemos fardamento dos americanos e usávamos três roupas, uma por cima da outra.” E completou: “Naquela época eu tinha uns 20 e poucos anos. Fazia parte do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, de São João del-Rei (MG). Quando voltei para o Brasil, me casei com uma menina que conheci em São João. Estou com ela até hoje e ela tem 81 anos”.

Sobre a preparação recebida, Nestor detalhou que houve treinamento antes do embarque. Depois, quando chegaram à cidade de Pisa receberam armamento e farda. Após isso, em solo italiano, “foram 15 dias em atividades intensas” até partir para o front. Durante o período que permaneceu na II Guerra, o coronel contabilizou que “mais de 400 soldados brasileiros perderam a vida”.

Homenagem da Defesa

O Ministério da Defesa (MD), também comemorou os 70 anos da conquista de Monte Castelo, a primeira vitória da FEB na II Guerra Mundial.

General Menandro Garcia, do Ministério da Defesa: participação brasileira na II Guerra Mundial deixou importante legado para as Forças Armadas - Foto: Jorge Cardoso
General Menandro Garcia, do Ministério da Defesa: participação brasileira na II Guerra Mundial deixou importante legado para as Forças Armadas – Foto: Jorge Cardoso

O chefe da CAE, general Menandro Garcia de Freitas, destacou a importância da sociedade recordar os feitos heroicos destes homens e mulheres. “Comemorar a história de um país é parte insubstituível na formação cultural e para que seus cidadãos tenham orgulho daqueles que legaram este território continental que nós temos hoje”, afirmou.

Menandro também lembrou o ceticismo que dominava o país à época: “diziam que era mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa”.

Compondo o IV Corpo do Exército dos Estados Unidos, sob o comando do general Willis D. Crittenberger, a FEB tomou o Monte em 21 de fevereiro de 1945, tornando possível a vitória dos aliados.

No total, 20,4 mil alemães foram capturados pelas tropas brasileiras. O general Menandro fez questão de ressaltar as peculiaridades da Força Expedicionária, principalmente, o tratamento digno aos oponentes.

Outra característica da tropa brasileira era o respeito à população local e à dignidade humana. Segundo ele, os pracinhas possuíam a Cartilha do Expedicionário, que norteava o comportamento da tropa. “Essa atitude é uma marca, até os dias atuais, da cooperação brasileira em missões internacionais de paz”.

Conforme o general Menandro, a participação na Segunda Guerra deixou um legado importante ao país, entre eles, a valorização estratégica da região Nordeste do país, a aplicação de uma doutrina militar nacional, a renovação da mentalidade industrial e a projeção internacional, já que o Brasil foi o único país da América Latina a compor uma força militar contra o nazismo e o fascismo.

(MD ASCOM/ FM)

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