Dia da Arma de Comunicações – 5 de maio

Dia da Arma de Comunicações – 5 de maio

Em 5 de maio de 1865, nascia, em Mimoso, Mato Grosso, Cândido Mariano da Silva Rondon, que tornar-se-ia marechal aos 90 anos, em 1955, recebendo as insígnias em sessão solene do Congresso Nacional. Foi promovido em razão de sua dedicação integral às lides castrenses e por seu amor à Pátria e espírito de sacrifício. Como reconhecimento de toda a Nação brasileira, recebeu o título de Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro e teve sua data natalícia escolhida para a comemoração do Dia Nacional das Comunicações.

Os feitos de Rondon foram marcantes para o Brasil, pois desbravou mais de 50 mil quilômetros de sertão, um território, até então, totalmente inexplorado, construindo mais de 2.000 quilômetros de fos telegráfcos, abrindo estradas, implantando postos de serviço telegráfco e núcleos habitacionais e unindo os pontos mais afastados do País aos principais centros urbanos.

Com o passar dos anos, as Comissões de Linhas Telegráfcas evoluíram para Comissões Rondon, reunindo diferentes ministérios e inúmeros profssionais de diversas especialidades. Dentre os seus legados, destaca-se o trabalho cartográfco desenvolvido no mapeamento das regiões desbravadas, tendo como produto a Carta do estado de Mato Grosso, o que contribuiu para que 15 novos rios viessem a figurar em nossos mapas como resultado de suas explorações fluviais. Uma região de 500.000 km2 foi integrada e compilada em 70 volumes, contendo relatórios referentes à Biologia, Geologia, Hidrografia e a todos os aspectos das áreas desconhecidas até a época. Destaca-se, ainda, o inventário de 20 mil exemplares de nossa fauna e flora.

As expedições de Rondon, extrapolando as fronteiras do Brasil, renderam ao grande sertanista o reconhecimento internacional de sua obra. O nome do Marechal Rondon foi escrito em letras de ouro maciço
no Livro da Sociedade de Geografa de Nova Iorque, como o explorador que mais profundamente penetrou em terras tropicais, ao lado dos descobridores dos polos norte e sul, Amundsen e Pearry, e dos exploradores que mais profundamente adentraram em terras árticas e antárticas, Charcot e Byrd.

Como indigenista, no trato com os índios e na sua integração à sociedade, Rondon destacou-se pela promoção da paz, pacifcando tribos; estudando a cultura, os usos e os costumes dos habitantes dos lugares percorridos; e participando da criação de medidas legais de proteção aos silvícolas. Essa postura é claramente condensada em seu lema “Morrer se preciso for, matar nunca”. A paz personifcada no insigne marechal não se restringiu ao Brasil, tendo sido indicado duas vezes ao prêmio Nobel da Paz, em 1925 e em 1957, quando 15 nações endossaram a proposta com seu nome. Rondon foi nomeado Diretor da Fundação do Serviço de Proteção aos Índios, precursora da atual Fundação Nacional de Assistência ao Índio, em face do muito que já realizara e da estatura moral e intelectual patenteada em toda a sua carreira.

O tráfego de informações entre emissor e receptor é um requisito básico para o sucesso das atividades em grupo, seja no mundo animal, seja na evolução das sociedades humanas, sendo esta uma atividade instrumentalmente praticada desde os tempos mais remotos, antes mesmo da linguagem verbal e da escrita. A construção e o aperfeiçoamento gradativo dos diferentes métodos empregados na transmissão de mensagens foram fundamentais para o progresso da civilização humana.

Na arte da guerra, as Comunicações sempre foram essenciais para as ações de coordenação no campo de batalha. Meios e sistemas de comunicações foram desenvolvidos pela engenhosidade humana para garantir a transmissão de ordens, a conjugação de esforços e a monitoração do campo de batalha.

O trabalho silente foi e sempre será necessário e fundamental para assegurar as vitórias no entrechoque das nações. No Brasil, dos primórdios coloniais em Guararapes à espada invicta de Caxias, mesmo antes da existência como Arma, as Comunicações estiveram presentes e evoluíram com o Exército, como, por exemplo, na Guerra da Tríplice Aliança, quando o telégrafo de campanha foi utilizado pela primeira vez em um campo de batalha na América do Sul.

A 2ª Guerra Mundial representou o nascedouro da Arma de Comunicações com a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB), quando a 1ª Companhia de Transmissões foi a responsável por instalar, explorar e manter as comunicações da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, comandada pelo Marechal Mascarenhas de Moraes.

O sucesso obtido na Itália pelo então Serviço de Transmissões, uma das atribuições acumuladas pela Arma de Engenharia, conduziu à criação da Arma de Comunicações em 25 de agosto de 1956. Como patrono, foi designado o Marechal Rondon, pelo Decreto 51.560, de 26 de abril de 1962.

Atualmente, a “Arma do Comando” cumpre relevantes missões que crescem de forma exponencial na já denominada pós-modernidade da era da informação e do conhecimento, cujo cenário de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade transforma a guerra e agrega um futuro desafador considerado frágil, angustiante, não linear e, por vezes, incompreensível.

O Comando e Controle, a Guerra Eletrônica e a Defesa Cibernética exigem que o comunicante busque sempre o autoaperfeiçoamento para bem cumprir suas atribuições. As incertezas das ameaças na assimetria de um campo de batalha altamente tecnológico exigem, cada vez mais, comunicações rápidas, flexíveis e eficientes, a fim de se manter o Comando e Controle em todos os níveis.

A transformação do Exército busca ampliar a capacidade operacional da Arma, transformando organizações militares, como os batalhões de comunicações e as recentes unidades de comunicações e guerra eletrônica, por meio da implementação de capacidades para atuar no horizonte cibernético da guerra centrada em redes, aperfeiçoando a infraestrutura do Sistema de C2 do Exército.

Além disso, intensifica-se o emprego conjunto de diversos equipamentos dos Sistemas de Comunicações Estratégicos e Táticos com avançados meios, como os terminais terrestres do Sistema Militar de Comunicações por Satélite (SISCOMIS), o Sistema de Radiocomunicação Digital Troncalizado (SRDT), os terminais e módulos de telemática, além da constante atualização do Sistema de Comunicações de Área (SCA), aliados ao incremento dos diversos sensores e atuadores do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) e dos sistemas integrados baseados em Tecnologia da Informação e Comunicações.

Nobres comunicantes, parabéns pelo transcurso do seu dia! Prossigam honrando o patrono de sua Arma que, com seus princípios e valores pessoais, éticos e morais, e dotado de coragem, capacidade técnica, vigor físico e tenacidade moral inigualáveis, além de incansável persistência em cumprir seu dever profissional, tornou-se eterno exemplo para o mundo. O nome de Rondon deve pulsar no coração de todos os comunicantes capazes de aliar o conhecimento técnico à capacitação operacional, necessários para a superação dos desafios do presente e o vislumbre do futuro promissor da Força Terrestre em constante transformação.

Que o lema das Comunicações de “Sempre Servir” esteja presente no trabalho diuturno de cada militar, tal como ecoou na vida e no trabalho do insigne Marechal Rondon.

“Sempre estarás na vanguarda e cumprirás do comando as missões!

(CCOMSEX/FM)

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