Forças Armadas apoiam atendimento médico em aldeia indígena

A quase 90 quilômetros de Imperatriz, no Maranhão, a aldeia São José, etnia Krikati, tem vivenciado algo inédito para a saúde indígena na localidade. Desde o feriado da Independência, a comunidade recebe atendimento médico especializado, inclusive com procedimentos como cirurgias de catarata e hérnia.

A iniciativa conta com a parceria do Ministério da Defesa em apoio ao trabalho da organização não governamental Expedicionários da Saúde (EDS), que atuam no Sesai em Ação, programa desenvolvido pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde.

A aldeia São José abriga integrantes da etnia KrikatiA aldeia São José abriga integrantes da etnia Krikati

Responsável pela logística, a cargo das Forças Armadas, o Ministério da Defesa tem papel essencial na ação. A primeira atribuição teve início em 21 de agosto, quando a Força Aérea Brasileira fez o transporte dos equipamentos médicos até o aeroporto de Imperatriz. De lá, o 50º Batalhão de Infantaria de Selva (50º BIS) ficou encarregado de levar o material até a aldeia.

Durante cinco dias, além de fazer o transporte, 68 militares do Exército montaram as bases de atendimento médico na comunidade. Após uma parada para atualizar o planejamento, os militares estão no local desde 3 de setembro.

Bases de atendimento médico são montadas para atender a populaçãoBases de atendimento médico são montadas para atender a população

Os integrantes do 50º BIS estão divididos em cinco grupos comandados pelo capitão Francisco Airton Ferreira Filho: equipe de segurança, apoio para cozinha, instalações das comunicações (sinal de internet para manter contato com o batalhão), serviços gerais e padioleiros (responsáveis pelo apoio no centro cirúrgico).

Para o comandante do 50º BIS, coronel Lautier Barbosa de Azevedo, é uma grande satisfação contribuir com a qualidade de vida do povo indígena maranhense. “Sem dúvida alguma faz parte da missão constitucional das Forças Armadas colaborar para o desenvolvimento social do país. Eu, como comandante, digo que é um grande orgulho poder auxiliar nesse trabalho”, afirmou.

O cacique da aldeia São José, João Grossa Krikati, está muito grato pelo que as forças têm feito pela população local, “Muito bom para o nosso povo, pois com a segurança e a logística, fizeram isso acontecer para a gente”, disse.

Saúde

Os atendimentos começam às 7h com o cadastramento dos pacientes. Eles são direcionados para as especialidades e atendidos pelos médicos voluntários. Tudo é feito por meio de um Complexo Hospitalar Móvel, em que a ONG Expedicionários da Saúde leva atendimento médico especializado, principalmente cirúrgico, às populações indígenas que vivem isoladas.

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Por conta do intenso contato com a luz solar, há alta incidência de doenças como a catarata entre essa população indígena. O demasiado esforço físico feito pelos índios também provoca o desenvolvimento de hérnias inguinais e abdominais. Com esses atendimentos no Maranhão, os voluntários chegam a 41º Expedição da Saúde.

A coordenadora da ONG, Márcia Abdala ressaltou a importância da atuação do Ministério da Defesa. “Sem vocês, nada seria possível, pois não teríamos como trazer nossos equipamentos. Espero que continuem nos ajudando para que esse trabalho possa seguir”, agradeceu. O também coordenador, Ricardo Affonso Ferreira vê que, com tantas parcerias, o projeto tem se fortalecido cada vez mais. “Isso está fazendo que com que consigamos atingir com mais eficiência e qualidade a nossa missão. Cuidando da vida, preservando a floresta”, ressaltou.

“Essa logística é muito pesada e só um órgão com muita expertise na área conseguiria fazer com tanta eficiência e em um tempo tão curto. Sem a mão amiga é impossível esses eventos ocorrerem”, destacou o coordenador-geral do Distrito Sanitário Especial Indígena do Maranhão (DseiI/MA), Alexandre Oliveira Cantuária.

Apesar dos atendimentos serem feitos na Aldeia São José, a etnia Krikati tem outras populações no estado que também foram assistidas. De 7 a 12 de setembro, foram feitas, aproximadamente, 4 mil consultas e 250 cirurgias somente na Aldeia São José, além dos mais de 1,5 mil atendimentos clínicos em comunidades próximas. O Sesai em ação prossegue até 20 de setembro.

Pacientes

Entre os pacientes, José Borges Krikati, 56 anos, fez a cirurgia de catarata na quarta-feira (12). Ele ainda está em fase de recuperação, mas percebeu uma melhora na visão e está grato por tudo que tem ocorrido nos últimos dias. “Para falar a verdade, eu achei que nunca ia acontecer esse serviço dentro da aldeia. Tem sido muito bom e o pessoal tem gostado muito, deu certo para toda comunidade”, afirmou.

O atendimento na aldeia permite procedimentos adiados por conta da dificuldade de deslocamentoO atendimento na aldeia permite procedimentos adiados por conta da dificuldade de deslocamento

Marineuza Krikati é da aldeia Jerusalém e fez um procedimento na orelha. Com dificuldade para conseguir atendimento na rede pública, ela ressalta que por morar “longe da cidade para conseguir consultar às vezes demora anos ou nem acontece. Aqui foi tão fácil, eu agradeço a Deus por ter aberto essa porta para nós e a toda essa equipe que esteve aqui”, celebrou.

Na quinta-feira (13), o secretário da Sesai, Marco Antônio Tocollini, esteve na aldeia para ver o trabalho de perto e ouvir a população indígena. Para ele, que está no cargo desde fevereiro de 2017, é notória a necessidade do apoio do Ministério da Defesa. “É uma ação de guerra, devido às condições que os índios vivem, no meio da floresta, do cerrado e em áreas de difícil acesso. Só as Forças Armadas têm condições que chegar nesses locais. Nós não temos como abrir mão dessa parceria. Não basta ter um excelente um médico e equipamentos, sem ter como chegar às comunidades”, destacou.

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Na ocasião, os caciques das aldeias atendidas agradeceram todos os órgãos envolvidos com uma recepção e presentes. Até 20 de setembro, mais de 150 voluntários do Dsei/MA e mais de 80 da ONG Expedicionários da Saúde vão continuar trabalhando na comunidade. Os militares ficarão responsáveis por toda a desmontagem da estrutura.

Por Júlia Campos 

Fotos: Keven Cobalchini/MD

(MD ASCOM/FM)

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