Forças Armadas atendem mais de 20 mil jovens no Programa Forças no Esporte

Além do esporte, alunos têm reforço escolar e orientação sobre saúde

Morador do Varjão, uma cidade administrativa do Distrito Federal (DF) de cerca de cinco mil habitantes, Guilherme Silva Lionço tinha apenas 11 anos e vários sonhos quando começou a frequentar o Programa Segundo Tempo – Forças no Esporte (PROFESP), entre os anos de 2005 e 2006, em Brasília. Driblando a violência e a falta de infraestrutura, mazelas presentes ao seu dia a dia, hoje o jovem de 20 anos cursa o 5º semestre de Engenharia Aeroespacial na Universidade de Brasília, no campus do Gama, além de participar da empresa Junior Zenit Aerospace.

Programa Forcas no Esporte 1

“O PROFESP me abriu novas perspectivas de vida. Vi muitos colegas de infância indo para o caminho errado. Isso eu não queria de jeito nenhum para mim”, diz o estudante. “Essa iniciativa é muito importante para ajudar na educação dos jovens, pois é nessa fase que os princípios e valores como respeito, dedicação, trabalho em grupo e sentimento de amor à pátria são incorporados”, complementa Lionço.

Ele personifica o exemplo de como um projeto, criado em 2003, contribui para mudar a realidade de adolescentes moradores em áreas de vulnerabilidade social. “A minha intenção agora é poder contribuir de alguma forma para ajudar as outras pessoas menos favorecidas, como aconteceu no meu caso. É o mínimo que posso fazer”, explica.

O PROFESP é fruto de uma parceria entre os Ministérios da Defesa e do Esporte, e se originou a partir da criação do Programa Segundo Tempo, inicialmente em apenas quatro organizações militares: duas da Marinha (CEFAN – Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes – e GptFNB – Grupamento de Fuzileiros Navais de Brasília), uma do Exército (EsPCEx – Escola Preparatória de Cadetes do Exército) e uma da Aeronáutica (CDA – Comissão de Desportos da Aeronáutica).

Programa Forcas no Esporte 2

Conforme explica o Vice-Almirante Paulo Martino Zuccaro, diretor do Departamento de Desporto Militar (DDM), o projeto atendia, no início, aproximadamente 500 crianças e adolescentes, entre 7 e 17 anos, da rede pública de ensino, prioritariamente aqueles em situação de vulnerabilidade social.

Em 12 anos, esse panorama ganhou novos contornos. A quantidade de beneficiários em 2016 atingiu 20 mil alunos, 40 vezes maior que o número inicial. Além disso, o apoio das unidades militares passou de quatro para 154, contemplando 89 cidades, de 26 estados. No início, apenas Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília participavam do projeto.

“O auxílio de material esportivo, uniforme, recursos para contratação de professor/monitor e os investimentos para melhoria das instalações, obtidos do Ministério do Esporte, assim como o recurso para alimentação saudável, conseguido por intermédio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, reuniram condições para a forte expansão do programa”, explica o Vice-Almirante Zuccaro.

Mudança de comportamento

Programa Forcas no Esporte 3Cada núcleo onde é desenvolvido o PROFESP é composto de um grupo de 100 crianças, sob a orientação de um coordenador e um monitor, que desenvolvem atividades esportivas e complementares no contraturno escolar. São oferecidas modalidades coletivas e individuais. Além disso, há reforço escolar, orientações sobre saúde e palestras relativas à cultura, artes e ações ambientais.

Um dos resultados observados é a mudança de comportamento entre os jovens atendidos pelo programa. A diretora da Escola Municipal Sebastião Francisco do Vale, de Barbacena (MG), Edineia Luciane Condé, explica que os benefícios se estendem para além da área pedagógica.

“A maioria dos alunos é muito carente e possui problemas de estrutura familiar. Com o projeto, temos percebido mudanças de valores e um resgate da autoestima. Eles sentem que são ouvidos e recebem a atenção que muitas vezes não têm em casa”, ressalta a diretora.

A melhora não se restringe apenas ao comportamento. Reflete-se também no desempenho escolar. Na Base Aérea dos Afonsos (BAAF), no Rio de Janeiro, outros resultados começam a despontar e sinalizam um futuro promissor para esses jovens. Somente em 2014, por exemplo, dentre os jovens atendidos na BAAF, foram 27 aprovados na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), 20 no Colégio Naval, 32 no Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) e 35 no Colégio Pedro II.

Modificações

Ao longo dos anos o programa sofreu algumas modificações. Uma delas foi a ampliação da faixa etária, passando a ser de 6 a 18 anos, permitindo condições de fechar o ciclo da inclusão social, com o alistamento militar ou com as iniciativas de estágio para ingresso no mercado de trabalho. Também há, ainda, o incentivo ao ingresso no esporte de alto rendimento para os talentos detectados.

Embora a principal finalidade do programa seja a inclusão social de jovens em situação de vulnerabilidade social por meio do esporte, o PROFESP também tem conseguido garimpar vários talentos. Um dos exemplos foi o atleta Carlos Alexandre Gomes, na modalidade de levantamento de peso. Em poucos meses de treinamento, ele se tornou recordista brasileiro e eleito melhor atleta de 2010, na categoria infantil, e passou a fazer parte do Projeto Olímpico Marinha do Brasil.

De olho no futuro, o PROFESP já delineia suas linhas de atuação para os próximos anos. Uma delas é a parceria com o Centro de Integração Empresa – Escola (CIEE), com oferta de estágios, para que os jovens, ao atingirem a idade limite no programa, tenham perspectivas para o mercado de trabalho. Estão sendo estudadas, ainda, a implantação de um sistema de identificação de talentos no esporte e a incorporação da estrutura do Projeto Navegar, do Ministério do Esporte, permitindo incentivar e ofertar a modalidade esportiva de navegação à vela.

“Também pretendemos uma parceria com o Ministério da Educação, obtendo kit de instrumentos musicais, para incentivar e ampliar os núcleos que oferecem aulas de música e que até possuem bandas formadas por alunos do Programa”, finaliza o Vice-Almirante Zuccaro.

Na Aeronáutica, 25 organizações militares participam do PROFESP

Em 2015, o programa desenvolvido nas unidades da FAB atendeu 3,8 mil crianças e adolescentes. Para 2016, a expectativa é um aumento de cerca de 10%. “Pretendemos incrementar esse número com a adesão de novas unidades e com a ampliação de núcleos do PROFESP já existentes”, explica o coordenador do programa no âmbito da Aeronáutica, Coronel da reserva Lidércio Januzzi.

Atualmente, 25 organizações da Aeronáutica desenvolvem o programa em diversas localidades do País. A Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) é uma delas. A instituição de ensino atende, este ano, 150 crianças e adolescentes, entre 8 e 13 anos, da Escola Municipal Sebastião Francisco do Vale, em Barbacena (MG).

O projeto na EPCAR teve início em setembro de 2014 com 100 alunos. O coordenador do projeto, Major Capelão Paulo Lupércio Simões, acredita que as atividades propostas contribuirão para o desenvolvimento social e cognitivo das crianças. “Todos da equipe temos uma boa expectativa para desenvolver esse trabalho de inclusão social por mais um ano. Para 2016, temos um acréscimo de 50 crianças estendendo o projeto e alcançando mais jovens”, conclui.

Já na Base Aérea de Porto Velho (BAPV), a meta é atender a 60 crianças e adolescentes da Escola Municipal Maria Izaura da Costa Cruz, localizada no bairro Industrial, na capital rondonense.

“Teremos atividades esportivas em várias modalidades, como vôlei, atletismo, basquete, futsal, handebol e natação”, explica o Tenente Denilson Melo Gonçalves, um dos coordenadores do Projeto na BAPV. “É muito gratificante poder ajudar, de alguma forma, esses jovens carentes. O efetivo também está bastante animado”, complementa o militar.

(CECOMSAER/ FM)

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One Comment

  1. Evanilde Barroso Ferreira

    Gostaria de saber se existe esse projeto em Manaus,Parabéns por esse lindo projeto.

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