Instituição de ensino superior mais antiga do país forma 228 oficiais

O dia chuvoso, de céu encoberto e trânsito difícil, do sábado (8), não tirou a beleza do cenário da baia de Guanabara, ornamentada pelos navios da Marinha que emolduravam a pequena orla da Ilha de Villegagnon. Ali, fica a sede da Escola Naval, instituição de ensino superior mais antiga do país.

Centro de Comunicação Social da Marinha – CCSMesta imagem não possui descrição

O local é moradia de centenas de jovens, homens e mulheres, que acalentam o sonho de concluir o curso de formação de oficiais da Marinha do Brasil. No sábado, foi o momento de 228 oficiais dos Corpos da Armada, de Fuzileiros Navais e de Intendentes da Marinha trocarem os espadins, símbolo da condição de aspirante, pelas espadas, que representa o oficialato. Entre os integrantes da Turma Almirante Saboia, estavam dez mulheres e nove estrangeiros de Angola, Cabo Verde, Líbano, Peru e Senegal.

No centro do campo, os aspirantes perfilados em seus uniformes brancos, deixavam vislumbrar a emoção que sentiam e o orgulho de estarem sendo prestigiados por parentes e amigos que acompanhavam a cerimônia. Não era difícil de notar os espectadores com os olhos marejados de lágrimas, alguns chorando de fato.

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A cerimônia, presidida pelo ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, também reuniu autoridades civis e militares. Ao se dirigir aos jovens, o ministro destacou que é bom ver a renovação nos quadros de militares, por constatar a melhoria contínua em vários aspectos, mas, principalmente, por ver preservados os valores inerentes às Forças Armadas.

A quem deseja ingressar em uma das três Forças, ele aconselhou conhecer as atividades desenvolvidas pelos militares para depois tentar o ingresso. Isso porque durante a carreira, “os militares abrem mão de muitas coisas, mas não costumam se arrepender da escolha”, disse o ministro.

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Após a troca dos espadins pelas espadas os formandos prestaram o juramento à Bandeira. Os jovens oficiais entonaram o brado da turma que encerrava com o verso que dizia: “Faremos nosso nome ao longo da história”. Ao serem declarados guardas-marinha, tiveram suas platinas trocadas por madrinhas e padrinhos emocionados.

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 O comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, destacou a presença de mulheres na Marinha. Ele lembrou que recentemente foi promovida a segunda mulher a almirante e que a turma Almirante Saboia é a segunda com a presença de mulheres. “Aonde existem mulheres no ambiente de trabalho, tudo melhora: a competência técnica, o desempenho da organização, as relações humanas, a hierarquia e a disciplina. Tudo funciona de uma forma matural e mais efetiva”, elogiou.

 Formandos

 esta imagem não possui descriçãoA agora guarda-marinha Camila Aldrin de Mello Campos, melhor colocada no corpo de intendentes, disse que a formatura foi emocionante e ela demorou a acreditar que finalmente o sonho estava se concretizando. “Sinto-me orgulhosa por ter ingressado na Escola Naval, ainda mais na segunda turma de mulheres da história da instituição e poder proporcionar esta alegria aos meus pais e convidados”, disse.

 Agora ela planeja concretizar com êxito o período pós-escolar, aprender o máximo e dar o melhor de si. “Acredito que ainda temos muito pela frente na carreira e estou ansiosa para viver tudo isso”, ressaltou.

Depois de nove anos de estudo, incluindo o tempo cursado no Colégio Naval, o formando Rafael Moraes Gonçalves tinha a certeza do dever cumprido. “Agradeço muito a Deus por ter me colocado em uma família com grandes valores e uma namorada que me apoiou desde o início”, ressaltou.

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Os guardas-marinha receberam as suas espadas das mãos dos almirantes mais antigos da Força e os primeiros colocados das mãos do ministro da Defesa e do comandante da Marinha. Agora, o próximo passo para os novos oficiais é embarcar no Navio-Escola Brasil para uma viagem de instrução a diversos países. A bordo colocarão em prática o que aprenderam na Escola Naval.
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Além do ministro da Defesa e do comandante da Marinha, o evento contou com as presenças do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho, do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato, de ministros do Superior Tribunal Militar, ex-ministros e ex-comandantes da Marinha, membros do corpo diplomático, e parlamentares, entre outras autoridades civis e militares. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, também prestigiou a formatura.

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Almirante Saboia

O nome da turma homenageia o almirante Henrique Saboia, que foi ministro da Marinha de 1985 a 1990. O militar comandou o Navio-Escola Custódio de Melo, do Comando do 1° Distrito Naval, e foi comandante-em-chefe da esquadra.

Como ministro da Marinha, o almirante, entre outras iniciativas, reorganizou as finanças da instituição, possibilitando a aquisição de diversos navios, submarinos e helicópteros.

Escola Naval

Criada em 1782, em Lisboa, Portugal, sob a denominação de Academia Real de Guardas-Marinha, a Escola Naval veio para o Brasil junto com a Família Real, em 1808. Instalada no Mosteiro de São Bento, lá permaneceu até 1832. Ao longo dos anos, a instituição sofreu inúmeras mudanças até, em 1938, ser fixada na Ilha de Villegagnon.

Por comandante Cleber Ribeiro

Fotos: Tereza Sobreira/MD

(MD ASCOM/FM)

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