Jungmann representa o Brasil em Conferência da Nações Unidas

Vancouver (Canadá) - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, participou na quarta-feira (15), em Vancouver, no Canadá, da Reunião Ministerial de Defesa das Nações Unidas para a Manutenção da Paz. O encontro reuniu cerca de 80 países, dos quais pelo menos 30 foram representados por ministros da Defesa. Durante o evento, foram discutidas estratégias que tornassem as operações de manutenção da paz mais ágeis, mais eficazes e mais focadas no campo.

A intervenção do ministro Jungmann, realizada durante a sessão plenária “Protegendo aqueles em risco”, destacou aspectos e lições aprendidas pelas tropas brasileiras na Missão de Paz para Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Jungmann descreveu a conduta dos capacetes azuis como rigorosa no enfrentamento aos criminosos, porém sem jamais deixar de ter atenção especial para com a população haitiana.“Nas ocasiões de enfrentamento armado, sempre em áreas urbanas densamente povoadas, a aplicação das regras de engajamento das tropas brasileiras era extremamente cuidadosa para evitar danos colaterais sobre a população civil” explicou o ministro da Defesa.

Ele lembrou ainda que, durante os 13 anos nos quais soldados brasileiros estiveram no país caribenho, eles interagiram amigavelmente com os haitianos e passaram a ser chamados de bon bagay (boa gente em criole). “É nessa perspectiva que o Brasil não concorda com a ênfase exclusiva ou excessiva no uso da força para a proteção de civis, com base apenas em intervenções robustas, sem levar em devida conta aspectos sociais, culturais, políticos e de desenvolvimento humano” ressaltou Jungmann durante a sessão.

Segundo o ministro, os comandantes de tropa brasileiros são orientados a estabelecer um elevado padrão de disciplina na área sob sua responsabilidade. Além disso, a permanência dos militares em uma base, o rodízio de tropas a cada seis meses, o rigoroso treinamento e o recrutamento baseado no voluntariado e criteriosa seleção foram fundamentais para o sucesso da missão.

Jungmann ressaltou também a importância da presença feminina nos contingentes brasileiros. Para ele, a participação de militares do segmento feminino nas tropas reforçou vínculos de afinidade entre mulheres de ambos os lados, tropa e população local. “Ao incorporar na atuação da tropa a dimensão psicossocial e o empoderamento da mulher haitiana, sobretudo as mães de família, o Brasil logrou maior sintonia com a população e aprofundou o impacto positivo com as famílias, como um todo, em proveito da paz ” disse o ministro.

Por fim, o ministro da Defesa reafirmou o compromisso do Brasil com as missões de paz da ONU e, principalmente, com a responsabilidade de proteger os civis que estão em risco, segmento que mais sofre em toda ruptura da paz.

Missões com participação do Brasil

Ao todo, o Brasil já participou de aproximadamente 50 missões das Nações Unidas, tendo enviado cerca de 50 mil militares ao exterior. Em outubro deste ano, o Brasil encerrou suas atividades na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH), que contou com a participação de tropas de outros 15 países, além do efetivo brasileiro de capacetes azuis da Marinha, do Exército e da Força Aérea.

Ao longo dos 13 anos em que os brasileiros estiveram no país caribenho, a população haitiana sofreu duas grandes catástrofes naturais. No dia 12 de janeiro de 2010, um terremoto causou a morte de mais de 200 mil pessoas. Em 4 de outubro de 2016, o furacão Matthew causou inundações e deixou milhares desabrigados. O apoio das tropas se mostrou imprescindível diante desses infortúnios.

Desde de 2011, o Brasil comanda a Força-Tarefa Marítima (FTM) da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), onde nossa Marinha mantém um navio e uma aeronave para impedir a entrada de armas ilegais e contrabandos naquele país, além de contribuir para o treinamento da Marinha libanesa.

Atualmente, o Brasil mantém observadores militares e oficiais de estado maior em missões no Chipre, na República Centro-Africana, no Saara Ocidental, na República Democrática do Congo, na Guiné Bissau, no Sudão e no Sudão do Sul. O Brasil permanecerá com suas Forças Armadas em condições de enviar efetivos para atuarem no exterior, especificamente em Missões de Paz sob o comando das Nações Unidas e observando os dispositivos legais que embasam a participação nacional em atividades desta natureza.

Confira a íntegra do discurso do ministro na sessão plenária “Protegendo aqueles em risco”, durante a Reunião Ministerial de Defesa das Nações Unidas para a Manutenção da Paz.

Versão em português
Versão em Inglês

Fotos: Divulgação ASCOM/MD

(MD ASCOM/FM)

Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>