Ministério da Defesa e Escola Superior de Guerra promovem seminário “Diplomacia e Defesa”

Ministério da Defesa e Escola Superior de Guerra promovem seminário “Diplomacia e Defesa”

Brasília, 7/4/2015 – A Chefia de Assuntos Estratégicos (CAE) do Ministério da Defesa promove, até o dia 09 de abril, o seminário “Diplomacia e Defesa”. O evento tem o objetivo de incrementar a capacidade diplomática da área militar, bem como aproximar os temas da Defesa Nacional da política externa brasileira. Com participação de civis e membros das Forças Armadas, o seminário também é uma introdução ao curso “Diplomacia de Defesa” da Escola Superior de Guerra (ESG) e que será ministrado a partir do próximo dia 14/04.

Na abertura, general Menandro ressaltou que existem muitos exemplos de diplomacia no cotidiano da defesa brasileira
Na abertura, general Menandro ressaltou que existem muitos exemplos de diplomacia no cotidiano da defesa brasileira

O evento foi aberto na terça (07/04) pelo chefe da CAE, general Gerson Menandro Garcia de Freitas. “Os exemplos de diplomacia militar no dia-a-dia, praticados pela defesa brasileira, são muitos. Nós temos, no ano inteiro, um programa intenso de relacionamento com as nações amigas, em reuniões bilaterais; grupos de trabalho conjunto; exercícios integrados com tropa, quando a doutrina militar é mostrada com total transparência; e em atividades na fronteira também”, disse o general em seu pronunciamento.

Menandro elogiou a ESG pela iniciativa de aproximação da Defesa com o Itamaraty. Até junho, os participantes irão ter contato com disciplinas de Relações Internacionais, Direito Internacional, Ciência Política, Sociologia e Geopolítica, Inteligência Estratégica, Relações Diplomáticas, Negociações Internacionais, Pensamento Brasileiro de Defesa e Economia e Desenvolvimento.

Relações Exteriores

O diretor do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais, embaixador José Humberto de Brito Cruz, fez a primeira palestra do dia. Em sua exposição, citou que o Itamaraty e as Forças Armadas “sempre trabalharam juntos”. “Temos agendas diferentes, mas interesses que são os mesmos, como a preocupação com o país e a estratégia para melhor inserção do Brasil”, afirmou.

Para o representante do Itamaraty, Brasil contribui ao ter comportamento harmonioso com temas como religião
Para o representante do Itamaraty, Brasil contribui ao ter comportamento harmonioso com temas como religião

Para o embaixador, o papel da diplomacia é assegurar condições para minimizar e lidar com as vulnerabilidades externas. Nesse sentido, ressaltou que “o Brasil é naturalmente uma nação que está sujeita a forte sensibilidade a esses eventos”.

Ao falar sobre a conjuntura atual mundial, Cruz destacou temas contemporâneos como a intolerância religiosa e demais discriminações, por exemplo a de raça. “Acredito que a maior contribuição que o Brasil pode dar nesse tema é por meio do nosso exemplo. Poucos países no mundo têm a atmosfera de liberdade e de convivência harmoniosa como aqui. É um exemplo para o exterior.”

Livro Branco

“Defesa é um assunto de interesse de todo o cidadão”, afirmou o coronel Wallace Vianna Martins Junior, da Assessoria de Planejamento do Ministério da Defesa, ao abrir sua palestra sobre o Livro Branco de Defesa Nacional. O oficial salientou que o documento é uma importante ferramenta esclarecedora das atividades de defesa do Brasil.

“Foi o nosso primeiro produto e permite a sociedade conhecer a temática militar, além de estimular a discussão no âmbito da administração federal, meio acadêmico e por parte da sociedade brasileira”, disse.

O coronel destacou que o Livro Branco é uma ferramenta útil para o fortalecimento da confiança e promoção da segurança entre os países das Américas. “O Livro fortalece a cooperação, propicia transparência e confiança entre os Estados”, complementou o militar.

“O material é também um mecanismo de prestação de contas à sociedade sobre a adequação da estrutura de defesa hoje existente aos objetivos traçados pelo poder público”, apontou o palestrante.

A maioria dos países do continente americano possui um livro branco de defesa. Em novembro de 2002, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou uma resolução que estabelecia diretrizes para a elaboração de documentos sobre políticas e doutrinas nacionais de defesa.

O coronel Wallace esclareceu que o conceito sobre este tipo de documento surgiu no Reino Unido, onde o governo tinha a necessidade de expor uma nova política à sociedade. Em linhas gerais, o livro descreve o contexto amplo de política e estratégia para o planejamento de defesa.

Livro Branco de Defesa Nacional foi tema de uma das palestras do dia, ministrada pelo coronel Wallace
Livro Branco de Defesa Nacional foi tema de uma das palestras do dia, ministrada pelo coronel Wallace

No Brasil, em agosto de 2010, foi sancionada a Lei Complementar nº 136 que determinou a elaboração do Livro Branco de Defesa Nacional. A partir daí, foram realizadas várias oficinas temáticas, seminários e outros eventos com a participação de civis, militares das Forças Armadas, da Escola Superior de Guerra, acadêmicos e de representantes de setores ligados à Defesa, com o objetivo de colaborar na confecção do material.

Aprovado pelo Congresso Nacional em setembro de 2013, o Livro Branco contém seis capítulos que tratam sobre o Estado brasileiro e a Defesa Nacional, o Ambiente Estratégico do século XXI, a Defesa e o Instrumento Militar, Defesa e Sociedade, a Transformação da Defesa e Economia da Defesa.

Foram produzidos 5.500 exemplares, sendo 4.500 em português, 500 em espanhol e 500 em inglês, além de uma versão eletrônica. O Livro Branco foi distribuído para escolas, universidades, órgãos públicos, instituições militares, embaixadas estrangeiras e outras entidades.

Em 2016, o Livro, com quase 300 páginas, passará por uma atualização, já que retrata a realidade nacional em constante transformação. “Iremos buscar novamente a participação da sociedade para esta nova edição”, afirmou o coronel Wallace.

Foto: Tereza Sobreira

(MD ASCOM/ FM)

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