Operação Curare XI combate o garimpo ilegal no estado de Roraima

No dia 23 de setembro, o Exército Brasileiro, por intermédio da 1ª Brigada de Infantaria de Selva (1ª Bda Inf Sl), desencadeou a Operação Curare XI em todo o estado de Roraima, com o objetivo de combater os crimes transfronteiriços e ambientais. Inserida no contexto da Operação Verde Brasil, o foco principal dessa fase é combater e desmobilizar o garimpo ilegal na Terra Indígena (TI) Yanomami, cooperar com a fiscalização e combater a exploração irregular de madeira, além de ações preventivas contra as queimadas no estado.

A operação mobilizou aproximadamente 1.000 militares do efetivo da Brigada sediados em Manaus, Boa Vista e em seus Pelotões Especiais de Fronteira, com o apoio do 4º Batalhão de Aviação do Exército, tripulando duas aeronaves, além de outras cooperações necessárias à maior efetividade da Operação.

Foram realizadas patrulhas a pé, motorizadas e fluviais, bem como estabelecidos postos de bloqueio e controle fluviais e postos de bloqueio e controle de estradas. Além disso, ocorreram operações com emprego de helicópteros e reconhecimentos aéreos com o apoio da Força Aérea Brasileira. A tropa apoiou, também, ações de fiscalizações, cooperando com outras agências federais como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Polícia Federal e agências do estado de Roraima, como a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (FEMARH), a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.

No rio Mucajaí, as tropas da 1ª Bda Inf Sl, desde o dia 3 de setembro, já vinham realizando ações de apoio à FUNAI, em logística e segurança, para a reativação da Base de Apoio Etnoambiental (BAPE) Demarcação. Durante a Operação Curare XI, as tropas intensificaram as ações ao longo do rio para a desativação de garimpos ilegais na região.

No rio Catrimani, os militares, em coordenação com agentes da Polícia Federal, conseguiram identificar e desmobilizar um novo foco de garimpo ilegal, onde foram apreendidos grande quantidade de material de garimpo, um helicóptero, armas de pequeno porte, embarcações, motores e, aproximadamente, R$ 37.000,00 em ouro.

No rio Uraricoera, a tropa conseguiu neutralizar o que é considerado o maior garimpo ilegal de Roraima, conhecido como Garimpo do Mutum. Nessa ação do Exercito, a Polícia Federal prendeu dez pessoas e os militares da 1ª Bda Inf Sl desmobilizaram 272 construções irregulares que serviam de apoio às atividades de garimpo ilegal na região, estabelecendo uma Base Avançada de Selva que abrigará as tropas empregadas, as quais permanecerão vasculhando e monitorando o local para evitar a retomada da atividade ilegal.

No sul do estado, em cooperação com agentes do IBAMA, foram realizadas patrulhas que visavam ao combate à extração irregular de madeira e à prevenção de queimadas. Foram percorridos aproximadamente 3.000 km em cerca de 130 ações com apreensões de madeira extraída irregularmente, veículos e motosserras.

No contexto da operação, o Exército Brasileiro também estendeu sua mão amiga à população de Roraima, revitalizando o Posto de Saúde da comunidade indígena de Tabalascada, no município de Cantá, e realizando atendimentos médicos no município de Rorainópolis.

Entendendo a Operação Curare XI

Desde o mês de maio do corrente ano, tropas da 1ª Bda Inf Sl, sediadas em Boa Vista (RR) e Manaus (AM), realizam ações de controle no trânsito de embarcações nos rios Mucajaí e Uraricoera, principais nas vias de acesso à Terra Indígena Yanomami, onde estão localizadas as áreas de garimpo mais importantes do estado de Roraima. O objetivo dessas ações é bloquear, por via terrestre e fluvial, o fluxo logístico dos insumos necessários ao funcionamento dos garimpos, como combustíveis, equipamentos, motores e gêneros alimentícios, provocando, assim, a asfixia da atividade ilegal.

Essa fase da operação serviu, também, como campanha de convencimento e informação, promovendo a saída espontânea, da Terra Indígena Yanomami, de aproximadamente 2.500 pessoas envolvidas na atividade de garimpo na região. A FUNAI estima que por volta de 7.000 pessoas estejam envolvidas com os trabalhos nos garimpos nesse local.

Nessa fase também foram realizadas as coordenações necessárias com a FUNAI no sentido de ajustar o posicionamento das tropas empregadas ao longo do rio Mucajaí para proporcionar o apoio àquela Fundação na reativação da BAPE Demarcação.

A Operação Curare XI, iniciada no dia 23 de setembro, constitui-se em uma mudança de atitude no emprego das tropas da 1ª Bda Inf Sl e demais agências envolvidas, pois estas, agora, além do controle das vias fluviais e terrestres para acesso aos locais de garimpagem, realizam ações diretas contras as áreas de garimpo para a desmobilização e neutralização da atividade ilegal, com a retirada e a prisão de pessoas, além da apreensão de material.

O advento da Operação Verde Brasil possibilitou à Operação Curare XI desenvolver ações em todo o território estadual, e não apenas na faixa de fronteira, possibilitando uma sinergia mais intensa com as demais agências e instituições com atribuição de combater os crimes ambientais e fronteiriços, particularmente no sul do estado.

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