Perigo de acidentes com balões aumenta no mês de junho

Perigo de acidentes com balões aumenta no mês de junho

De acordo com dados do CENIPA, nesta época do ano há um aumento de 75% no número de ocorrências em relação à média anual

Em junho de 2011, um Airbus que decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino a Confins, em Minas Gerais, colidiu com um balão não tripulado, ocasionando a obstrução dos tubos de pilot do avião – dispositivos que medem velocidade – que, se pararem de funcionar, podem prejudicar outras funções da aeronave, como o piloto automático.

PERIGO

Ninguém ficou ferido, mas o incidente, considerado grave pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (CENIPA), causou danos à aeronave. O problema técnico foi semelhante ao do avião da Air France que caiu no mar em 2009 e causou a morte de 228 pessoas, devido ao congelamento das sondas.

Soltar balões é uma prática cultural ainda muito difundida no Brasil. Mesmo nos casos em que são utilizados balões sem o uso de fogo existe o risco de incêndios, pois eles podem entrar em contato com redes de alta tensão.

Além de a prática ser considerada crime ambiental, passível de multa e detenção, pode trazer sérias consequências à aviação.“Se uma aeronave estiver realizando aproximação para pouso a 460 km/h e colidir com um balão que tenha apenas 1kg de cangalha, que é a estrutura onde são colocados, por exemplo, fogos de artifício, o impacto vai gerar uma força capaz de atravessar o pára-brisa do avião”, explica o Tenente-Coronel Francisco José Azevedo de Morais, responsável pelo Programa de Risco Baloeiro do CENIPA.

Segundo dados da organização, em 2014 aconteceram mais de 300 notificações de balões em áreas próximas a aeroportos. Em abril deste ano, um balão caiu na pista no Aeroporto de Congonhas (SP), o que obrigou uma aeronave a arremeter e provocou atrasos nos pousos. Comparando com a média mensal anual, há um aumento na soltura de balões de aproximadamente 75% no mês de junho, impulsionado pelas festas típicas. A região sudeste é onde se concentra a maior parte das ocorrências: dentre as notificações registradas neste ano, 88% foram nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

“O balão, apesar de belo e divertido, pode ser a causa da morte de muitas pessoas. É justo colocar vidas em risco pela simples diversão?”, alerta o Tenente-Coronel Morais.

(CECOMSAER/ FM)

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