“Precisamos educar desenvolvedores para pensar na suportabilidade”, diz professor do ITA

“Os currículos dos cursos de engenharia focam no desenvolvimento do produto. Mas é preciso saber o que fazer depois: 70% a 80% dos valores envolvidos no ciclo de vida de uma aeronave são gastos depois do desenvolvimento”. Foi com essa preocupação que o Coronel Aviador Fernando Abrahão, professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), realizou uma palestra, na noite da quarta-feira (18), para os alunos de engenharia da Universidade de Brasília (UnB). A palestra fez parte da 3ª Semana de Engenharia da Produção, que ocorreu até a quinta-feira (19).

O professor destacou o novo laboratório do ITA, AeroLogLab, criado este ano para pesquisar questões logísticas, que, segundo ele, são cada vez mais importantes para a Força Aérea Brasileira (FAB), especialmente neste momento em que a instituição se prepara para a chegada das novas aeronaves nos próximos anos – o caça Gripen NG e a aeronave multimissão KC-390. Segundo ele, o projeto de manutenção oferecido pela empresa sueca Saab foi um dos principais aspectos que se levou em conta para a escolha do novo caça. “O suporte é essencial para a disponibilidade”, disse. Para o Coronel Abrahão, o objetivo de falar aos alunos da UnB, além de apresentar possibilidades de estudo e carreira na FAB, foi destacar a importância da manutenção. “Precisamos educar desenvolvedores para pensar também na suportabilidade”, avalia ele.

Um dos alunos que assistiram à palestra foi Victor Cintra Rego, do último semestre de Engenharia Mecânica. Ele está inscrito na seleção de um mestrado profissional oferecido pelo ITA em parceria com a Embraer e destacou a importância de iniciativas como o AeroLogLab. “A palestra foi muito relevante porque eu pude descobrir esse novo laboratório, que cria interfaces de trabalho entre indústria, academia e governo”, disse.

O professor do curso de Engenharia da Produção da UnB, Annibal Affonso Neto, responsável pela vinda do docente do ITA, conta que a ideia foi mostrar aos alunos expectativas de carreira acadêmica ou profissional na FAB. “A Engenharia da Produção tem foco nos processos produtivos, de transformação, agronegócio e serviços. Não é assim tão nova, mas falta conhecimento sobre a atuação desse profissional”, conclui o professor Annibal.

Fotos: Cabo André Feitosa/CECOMSAER

(CECOMSAER/FM)

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