Processo de interiorização leva venezuelanos de Roraima para outras regiões do Brasil

Processo de interiorização leva venezuelanos de Roraima para outras regiões do Brasil

Brasília, 05/04/2018 – Com o objetivo de melhorar as condições de vida de venezuelanos que buscaram o Brasil como refúgio, foi iniciado, nesta quinta-feira (05), o processo de interiorização, que consiste em levar esses imigrantes, situados em Roraima, para outras cidades do País, onde eles poderão ter novas oportunidades de vida e de trabalho.

Viabilizado pelo governo federal e pela Organização das Nações Unidas (ONU), o processo de interiorização transportou hoje, em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), 116 imigrantes, que optaram por ficar no Brasil, para a cidade de São Paulo. Nesta sexta-feira (6), 69 venezuelanos serão acolhidos na cidade de Cuiabá e outros 83, em São Paulo também.

Para viabilizar a acolhida deles, foram buscadas vagas em abrigos de prefeituras, governos estaduais e na sociedade civil. Antes do deslocamento, todos foram devidamente imunizados em relação a doenças como sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela, difteria, tétano e coqueluche. Os venezuelanos passaram por regularização migratória junto à Polícia Federal, seja por meio de solicitação de refúgio ou de residência temporária.

Os estados de São Paulo e Mato Grosso, municípios e Cuiabá estão trabalhando em parceria com o Governo federal e agências das Nações Unidas e apoiando essa grande ação humanitária.

A interiorização não terá custo para os venezuelanos. As viagens serão custeadas com os R$ 190 milhões liberados ao Ministério da Defesa por meio da Medida Provisória 823/2018, que trata da assistência emergencial e acolhimento humanitário das pessoas que deixaram a Venezuela.

Apoio da Força Aérea Brasileira

Nesta quinta-feira, a aeronave Boeing 767, do Esquadrão Corsário (2º/2º GT), realizou um voo de 4 horas entre Boa Vista, capital roraimense, e Guarulhos, região metropolitana de São Paulo.

Entre os passageiros, a venezuelana Laura Malave, viajou com a filha de onze anos e contou que veio ao Brasil para fugir do alto preço dos alimentos. “Todo o dia o preço sobe. Não temos nada, está cada dia pior”, explicou.

Nos três meses em que está no País, ela afirma que trabalhou como diarista, mas que a economia de Roraima não consegue absorver toda a mão de obra. Por isso, ela busca novas oportunidades de emprego em São Paulo. A imigrante se emociona ao mostrar a foto de duas filhas que ficaram na Venezuela, uma de 15 e outra de 22 anos. A mais velha está prestes a se formar engenheira e é para mantê-la dedicada aos estudos que a mãe busca alternativas no Brasil.

A capitão Adriana Gonçalves compôs a tripulação do Boeing 767 e disse que fazer parte desta missão é gratificante porque ajuda a população necessitada. “Eu me sinto muito honrada em estar realizando mais uma missão operacional da Força Aérea Brasileira, podendo apoiar, ajudar esse povo a ser integrado ao nosso País”, diz.

A coordenadora do escritório da Organization International Migration (OIM), uma das agências da ONU que está presente em Boa Vista, participou do embarque. Issyssay Rodrigues explica que é uma ação fundamental para gerenciar melhor o fluxo migratório. “A participação da FAB foi muito definitiva no planejamento dessa ação. Até avaliamos as condições de deslocamento por terra, mas vivemos em um País muito grande. A maneira mais viável era por via aérea. A Força Aérea foi fundamental”, afirmou.

Operação Acolhida

Para os imigrantes que estão em Roraima, no âmbito da Operação Acolhida, criada pela Força Tarefa Humanitária, estão sendo produzidas, diariamente, refeições e gêneros alimentícios que são distribuídos em cinco abrigos de Boa Vista (RR).

Ao todo, são distribuídas 3.120 refeições, confeccionadas pelo Exército Brasileiro, e 720 confeccionadas pela Força Aérea Brasileira, assim distribuídas:  1.680 refeições no Abrigo Jardim Floresta, 1.440 no Tancredo Neves e 720 no abrigo Pintolândia.

Até o momento, foram distribuídas pela Força Tarefa Humanitária mais de 43 mil refeições, divididas entre café da manhã, almoço e jantar. Além da confecção da alimentação, os militares são responsáveis por realizar o transporte e a distribuição.

Com informações da Força Tarefa Humanitária e da Força Aérea Brasileira

Fotos: CB André Feitosa/CECOMSAER e divulgação Força Tarefa Humanitária

(MDASCOM/CECOMSAER/FM)

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