Projetos e ações do Exército e da Força Aérea são apresentados durante o III Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa

O III Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa, realizado pela Escola Superior de Guerra (ESG) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), promoveu o painel “As Contribuições da Pesquisa & Desenvolvimento da Área Militar: incremento da Indústria de Defesa na Região Sul” no dia 16 de julho. Participaram o General de Brigada Raul Rodrigues de Oliveira, Chefe do Escritório de Projetos do Exército, e o Major-Brigadeiro do Ar José Augusto Crepaldi Affonso, Vice-Secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica.

O General Raul abriu o painel apresentando os grandes projetos do Exército Brasileiro. Dentro do portfólio estratégico da Força. O SISFRON, Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, por exemplo, em implantação, será o responsável pelo monitoramento e ação nos 17 mil quilômetros de fronteira terrestre do País e favorece a operação interagências, o apoio à operação e decisão e o monitoramento e controle na fronteira.

O programa ASTROS que foca em garantir apoio de fogo de longo alcance com elevada precisão, visa equipar o Exército Brasileiro com um sistema de mísseis e foguetes com alcance de 300 quilômetros. Sua estrutura física está concentrada nas modernas instalações do Forte Santa Bárbara, na cidade de Formosa, em Goiás.

Já o Programa Guarani, além de modernizar as Brigadas de Cavalaria Mecanizada da Força, tem como objetivo tornar mecanizadas algumas unidades de Infantaria Motorizadas. Nesse contexto, já foram entregues mais de 400 viaturas 6×6 Guarani.

Por sua vez, o projeto Defesa Cibernética foi criado para proteger nossas redes, qualificar pessoal e desenvolver novas capacidades e buscar soluções para as questões cada vez mais presentes e estratégicas.

Para ampliar a capacidade de coordenação de operações de proteção da sociedade nos mais diversos contextos de emprego, surgiu o programa Proteger, que é empregado em situações de crise, calamidade, grandes eventos, operações de Garantia da Lei e da Ordem e prevenção e combate ao terrorismo.

O Programa OCOP, para obtenção da capacidade operacional plena do Exército, visa qualificar a capacidade dissuasória, o poder de combate e a capacidade operacional através de inovações tecnológicas que permitem a prontidão operacional.

(ESG ASCOM/FM)

E há ainda o Programa Lucerna, criado para transformar o Sistema de Inteligência da Força, incrementando a capacidade de obtenção de dados e aumentando a capacidade de análise.

Ao apresentar e analisar as iniciativas do portfólio estratégico do Exército, o General Raul elencou os benefícios gerados por elas, como o aumento da capacidade de dissuasão, projeção internacional, apoio às ações de segurança pública e paz social. E ainda salientou dois pontos que se destacam frente ao setor produtivo e industrial: “O incremento à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e o estímulo ao desenvolvimento nacional que trazem geração de empregos, capacitação da mão de obra e independência tecnológica, contribuindo para a economia e para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa”, afirmou.

Ao realizar sua apresentação, o Major-Brigadeiro Crepaldi explorou as iniciativas em vigor para a revitalização da aviação de caça do Brasil. Por ser um produto de ponta, o setor enfrenta alguns fatores críticos ao longo do seu ciclo de vida, como a obsolescência operacional e logística. A preocupação em ter uma cadeia de produção com base nacional, além de mão de obra especializada e capacidade de suporte logístico, é vital para evitar o aumento de preços indexados por outras moedas e a perda de autonomia, por exemplo.

“A COVID-19 nos obrigou a olhar para algumas coisas que não achávamos importantes, no sentido de questionar o que passa a ser estratégico em termos de Defesa. Um dos subprodutos da pandemia é a falta de capacidade de sustentação das indústrias em todo o mundo. E isso mostra que devemos proteger as indústrias, pois governos estrangeiros podem querer se aproveitar dessa fragilidade financeira para adquirir empresas e prejudicar a autonomia operacional de outros países”, afirmou o Major-Brigadeiro, chamando atenção para a questão.

O Brigadeiro Crepaldi listou ainda outros riscos para a Base Industrial de Defesa, como os contingenciamentos de gastos governamentais, o declínio nas capacidades industriais básicas e a escassez de mão de obra especializada na área de ciência e tecnologia. Como a Base Industrial de Defesa brasileira é em grande parte privada, ele sublinha ainda a importância de se entender a lógica do mercado e buscar meios de reduzir custos para alavancar o setor.

Ao final do painel, os participantes puderam realizar perguntas e tirar dúvidas com os palestrantes. A videoconferência foi acompanhada pelo Subcomandante da Escola, Major Brigadeiro do Ar Leonidas de Araújo Medeiros Júnior, e pelo Diretor do Campus Rio da ESG, General de Brigada Marco Antonio Martin da Silva.

O III Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa conta com oito semanas de programação 100% on-line, debruçando-se sobre aspectos da Defesa, Infraestrutura, Desenvolvimento e perspectivas para o cenário pós-pandemia. Além de integrantes da FIESC e da ESG, o Ciclo também conta com a participação das Federações das Indústrias dos Estados da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Tocantins e Minas Gerais.

Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>