Simpósio de Observação da Terra promove troca de conhecimento sobre satélites

O evento reúne militares e civis interessados no setor espacial

Compartilhar conhecimento, trocar experiências, gerar cooperação e sinergia na área espacial. Isso foi o que motivou a realização do Simpósio de Observação da Terra, iniciado nesta terça-feira (12) no Grupamento de Apoio do Distrito Federal (GAP-DF), em Brasília (DF).

O evento, que vai até esta quarta-feira (13) e é organizado pela Airbus Space, teve como convidados militares da Marinha do Brasil (MB), do Exército Brasileiro (EB) e da Força Aérea Brasileira (FAB), além de civis integrantes de instituições governamentais interessadas na implantação de projetos de sensoriamento remoto ótico.

Durante dois dias os participantes terão a oportunidade de analisar o panorama nacional das capacidades de sensoriamento remoto ótico, comparar a situação do país com o restante da América do Sul, analisar os benefícios da aquisição de um satélite nacional para o monitoramento de imagens e esclarecer dúvidas relacionadas à viabilização do projeto.

A abertura do simpósio contou com a presença do Ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, que participou da implementação do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) quando ainda integrava o Ministério da Defesa. O Ministro falou sobre a importância de se investir em um sistema de sensoriamento remoto ótico de alta definição no Brasil. “Esse sistema, a exemplo do SGDC [Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas], tem que ser dual, ou seja, tem que ser militar e civil. Essa é a fórmula que gera resultados e que permite uma utilização plena da capacidade e possibilidade de um equipamento tecnológico como esse”, defendeu.

Ao garantir apoio ao desenvolvimento do projeto, Raul Jungmann lembrou que a falta de um sistema como esse causa impacto financeiro no país. Segundo ele, atualmente, o gasto anual com a importação de imagens de alta definição feitas no exterior é de cerca de 100 milhões de dólares. “Se nós observarmos pelo prisma que seria a aquisição de um sistema como o Carponis-1 isso teria um custo inicial de aproximadamente 80 ou 90 milhões de reais”, complementou.

Autoridades do setor aeroespacial apontaram, além da economia, outros benefícios como a qualidade das imagens e o sigilo de informações, essenciais para a garantia da soberania nacional. O Major-Brigadeiro do Ar Luiz Fernando de Aguiar que preside a Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), no entanto, frisou que o projeto necessita de parcerias para que se torne viável. “Hoje não temos um satélite bom para imagem. É preciso que haja entendimento dos demais órgãos públicos da importância dessa tecnologia para inverter o processo: fornecer a imagem e não comprá-la”, afirmou.

Experiências internacionais
Para exemplificar as vantagens do uso do sistema, durante as palestras, a experiência de outros países na exploração de satélites de monitoramento de imagens foi compartilhada por integrantes de agências espaciais internacionais, que já investem no uso da própria tecnologia. O representante da Agência Espacial Francesa (CNES), Henri Roquefuil, destacou as características do satélite usadas para subsidiar áreas que envolvem serviços de segurança e organizações nucleares. “O programa dual ajudou a compartilhar custos e ter economia em escala. É um instrumento também de cooperação e permite integrar tecnologias”, explicou.

Para o representante da Agência Espacial Peruana (CONIDA), Gustavo Henriquez Camacho, a tecnologia empregada no sistema

satelital peruano, provavelmente, é o que há de mais avançado no país. “Usamos as imagens para detectar deslizamentos de terras, para identificar locais vulneráveis em rodovias, simular a atividade de vulcões, identificar áreas de cultivo. Tudo isso gera um impacto social. Houve muitos questionamentos durante a implementação pela falta de informação, mas, ao explicarmos o funcionamento do satélite, 99,1% das pessoas ouvidas em pesquisas encomendadas reconhecem que o uso é muito importante”, garantiu.

A previsão é de que o satélite ótico brasileiro entre em operação em 2021. O acesso ao banco de dados será gratuito. Apenas 10% das imagens serão de uso restrito.

Durante o evento, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o Centro de Operações Espaciais (COPE), unidade onde futuramente ficarão as instalações definitivas de controle e monitoramento dos novos satélites.
Carponis-1
O Carponis-1 é o primeiro satélite de sensoriamento remoto de alta resolução espacial brasileiro. O Brasil pretende colocá-lo em órbita entre 2021 e 2022. O satélite faz parte de uma das constelações do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), que integra o Programa Espacial Brasileiro.

Atualmente, o Brasil dispõe de imagens providas pelo satélite sino-brasileiro CBERS-4, no qual o melhor instrumento a bordo é uma câmera chinesa que pode somente prover imagens preto e branco com resolução máxima de cinco metros. O satélite Carponis-1 tem capacidade de gerar imagens coloridas com resolução igual ou menor a um metro. Isso quer dizer que o equipamento tem capacidade para gerar imagens com mais qualidade, nitidez e precisão. Imagens de alta resolução são essenciais para atender as demandas de diversos órgãos públicos brasileiros que, por vezes, devem recorrer a aquisição de imagens de satélites comerciais estrangeiros de maneira individual.

Fotos: Cabo Feitosa/Cecomsaer

Assista aqui como foi o primeiro dia do simpósio.

(CECOMSAER/FM)

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